Introdução: A ruptura de aneurismas cerebrais representa uma das principais causas de hemorragia subaracnoidea, condição associada a elevada morbimortalidade. A microcirurgia para clipagem aneurismática permanece um dos pilares terapêuticos, especialmente em casos de anatomia complexa ou contraindicação ao tratamento endovascular. Contudo, a avaliação sistemática de seus resultados clínicos e funcionais é essencial para orientar a escolha terapêutica e otimizar o prognóstico. Objetivo: Avaliar os desfechos clínicos e funcionais de pacientes submetidos à microcirurgia para clipagem de aneurismas cerebrais rotos, identificando fatores associados à evolução pós-operatória. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, realizado em um centro terciário de neurocirurgia entre 2020 e 2024. Foram incluídos pacientes com diagnóstico de hemorragia subaracnoidea aneurismática confirmada por angiografia e submetidos à microclipagem. Variáveis analisadas incluíram idade, gênero, localização do aneurisma, escala de Hunt-Hess na admissão, complicações intra e pós-operatórias, e desfechos funcionais pelo escore de Rankin modificada (mRS) aos 90 dias. Os dados foram analisados por estatística descritiva e regressão logística (p < 0,05). Resultados: Foram avaliados 147 pacientes, com média de idade de 54,2 ± 11,8 anos; 62% eram mulheres. Aneurismas da artéria comunicante anterior foram os mais frequentes (38%). A clipagem completa foi alcançada em 93% dos casos. A taxa de vasoespasmo clínico significativo foi de 21%, e hidrocefalia ocorreu em 18%. Aos 90 dias, 64% dos pacientes apresentaram bom desfecho funcional (mRS 0–2), enquanto mortalidade global foi de 12%. Escore de Hunt-Hess ? IV, vasoespasmo e idade > 60 anos foram associados a pior evolução (p < 0,01). Considerações Finais: A microcirurgia para clipagem de aneurismas cerebrais rotos apresenta bons desfechos clínicos e funcionais na maioria dos pacientes. A gravidade inicial, idade avançada e ocorrência de vasoespasmo são os principais preditores de prognóstico desfavorável. Estudos prospectivos multicêntricos são recomendados para ampliar a robustez desses achados e aprimorar protocolos terapêuticos.
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